
Ele é um ser supremo, infinito e perfeito, superior à natureza, acima dos homens, o melhor das empresas, mais rico, não se dobra a valores e regras de outras organizações, independente, a sua maneira de pensar e agir está além.
No centro do universo, o mundo gira ao seu redor e as coisas têm que ser do seu jeito. Pessoas, empresas e serviços são feitos exclusivamente para satisfazer suas vontades, no seu tempo e modo. Não há negociação, meio termo, exceção, quem manda é ele e ai de quem discordar.
Você disputa a chance de trabalhar com muitas outras agências, tão competentes quanto a sua, se seu orçamento for para a final, terá que convencê-los de seus diferencias com muita dose de criatividade – um completo aperitivo do que de fato será feito caso ganhe a conta.
Nós, atraídos pelo potencial financeiro e equipe especializada que fará parte do projeto, deslumbramos pelo portfólio de alta qualidade assinado por uma marca grande e conhecida. Aqui, você e sua equipe investem tudo para fechar o negócio.
Na cadeia alimentar, você elimina seus concorrentes e então a sua proposta começa a passear pelos departamentos, Diretoria, Compras, TI e outros. Aprovado pela Presidência (meses até anos depois), seu preço será achatado por uma equipe de contas ávida por colocar todo know-how a cheque. Cada centavo descontado será motivo de comemoração, e o parâmetro será centenas de outras propostas e orçamentos encontrados em São Paulo. Mas fique tranqüilo, a sua idéia é a que foi aceita.
Contratado, o projeto inicia com entendimento do que esperam por “algo caro”. Compraram muito além da concepção e produção de um projeto, no kit tem status, paparicos, surpreender em todos os momentos, porque eles não precisam de comunicação, seu quadro de funcionários é formado pelos melhores, podem fazer tudo, mas resolveram contratar a sua empresa pelo fôlego novo e a não responsabilidade (“santo de casa não faz milagre”, internamente jamais sairia o projeto).
Surge à decepção, o projeto começa a ficar muito caro e demandar tempo com outras coisas que fogem do escopo, a pressão e a exigência reinam de forma descontrolada, buscando satisfazer desejos supracitados neste post. Caso dê alguma coisa errada, a culpa será sempre da agência, pois o cliente é perfeito, seu tamanho justifica seu ser.
Fica o aprendizado: existem basicamente 2 perfis de negócios: 1º cliente emergente, formado por empresas que estão adquirindo a cultura em comunicação. 2º cliente deus, formado por empresas que estão no topo, que chegaram à liderança sem investimentos em comunicação.
1º) Cliente emergente é amável, decisões rápidas, tratamento direto com os donos (são diretores comerciais e marketing ao mesmo tempo). Nossas criações são bem aceitas e admiradas, pensam comunicação como arma estratégica, onde bem aplicada levará ao tão sonhado ganho de share. O relacionamento é de igual para igual, você é convidado para suas conquistas (um novo produto, festa de final de ano)… tudo perfeito com uma ressalva: não tem muita verba para investir em comunicação.
2º) Cliente deus estabelece uma relação servil, de cima (cliente) para baixo (fornecedor). O trabalho sai muito custoso, mas tem verba e nome.
Em lucratividade, a proporção está 4 (1º) X 1 (2º). Precificação, 8 (1º) X 1 (2º). Em trabalho, 10 (1º) X 1 (2º).
Existe o raciocínio que vale mais um mix de clientes com potencial crescimento do que atender poucos grandes. Porque se você perder 1 grande, estará fadado a quebra. Se for o pequeno, quase não irá sentir no orçamento e em breve será reposto com mais facilidade.
Seus concorrentes (cliente deus) serão grandes agências com nome e estrutura. Para os pequenos, profissionais liberais, estudantes, pequenas agências, bureaus, estúdios e atravessadores, como dentistas, músicos, arquitetos que resolveram fazer uma boquinha em outra área para complementar renda.
O grande tem muita verba, porém quase não rende lucro pela “exigência”, mas o resultado será referência. O pequeno, pouca verba, bom lucro na quantidade e portfólio não expressivo, apenas mais um trabalho com uma marca desconhecida.
Boa verba para portfólio pra uns, lucro para outros… na sua experiência, qual é o ideal de negócio?
Ps.: abaixo um vídeo bem interessante, principalmente pra quem vive de serviços:
Até a próxima.
[]‘s
Daniel Bryan







2 comentários
Nezudisse:
24/03/2010 em 16:40 (UTC 0)
Nem precisa de post… o vídiozinho fala tudo…
Adorei!!!
Abraços Bryan
Armando Vernaglia Jrdisse:
24/03/2010 em 22:26 (UTC 0)
Fala Daniel, a vida de prestador de serviço é assim mesmo, mas penso que há outros tipos de cliente, temos aqueles que tem tantas dúvidas que passam horas e horas em reuniões tentando decidir os próprios problemas administrativos com você ali olhando e pensando “mas não me chamaram aqui para decidir o briefing?”, tem o cliente resmungão, que passa a reunião inteira reclamando do Brasil, dos políticos, de tudo, aí fecha o negócio e te dá uma canseira para pagar, dando exemplo de que ele é igual ao que reclama, entre tantos outros…
Mas existem os bons clientes, acho que isso independe de porte mas sim da atitude do líder da empresa, empresa liderada por pessoa boa age de boa fé, mas empresas lideradas por gente ruim, só pode gerar dor de cabeça.
Vale pelo aprendizado, você acaba aprendendo a ver a empresa logo nas primeiras reuniões e com isso vale ver se deve ou não apostar no projeto. Hoje penso o seguinte, mais do que imaginar ser eu sou o cara certo para trabalhar para algum cliente, penso se o cliente é o cara certo para trabalhar comigo, se for, o trabalho sempre será bom. Se não, nem passo da primeira reunião pois não vai prestar… trabalho que começa torto vai torto até o final, não vale a pena.
Abração,
Armando